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Abordagem Policial é um weblog coletivo que trata de Segurança Pública. Seus principais colaboradores são Alunos-a-Oficial da Polícia Militar da Bahia, que expõem comentários sobre assuntos relacionados ao tema, buscando a interatividade com os visitantes.



Colaboradores:

- Danillo Ferreira é Aluno-a-Oficial da PM-BA e acredita na construção duma polícia cada vez mais imbuída de valores democráticos e humanitários, utilizando o conhecimento e a educação como alicerces deste mister.

- Victor Fonseca é Aluno-a-Oficial da PM-BA e um férvido admirador do militarismo, seguidor ipsis literis da dedicação exclusiva que a profissão exige e entusiasta da atividade policial militar.

- Marcelo Lopes é Aluno-a-Oficial da PM-BA, e antes de ingressar na Academia era Soldado da Instituição. Cursou Administração de Empresas e é defensor do profissionalismo e da legalidade.

- Emmanoel Almeida é bacharel em Teologia, professor de oratória e instrutor de técnicas aplicadas de memorização. Quando ingressou na Polícia Militar cursava Química na UESB. Hoje é Aluno-a-Oficial da PMBA.

- Sandro Mendes é Aluno-a-oficial da PM-BA, convicto e entusiasta do militarismo e convencido da nobreza ímpar do serviço policial militar e de sua imprescindibilidade para o bom convívio social.



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    Falácias apregoadas por policiais (e não-policiais).
    por Danillo Ferreira


    Em todo grupo social existe um conjunto de entendimentos e práticas que tornam, efetivamente, duas ou mais pessoas como participantes de um grupo. Esses entendimentos são vínculos, elos, que fazem aquelas pessoas agirem e opinarem de maneira relativamente semelhante em certas circunstâncias. É assim com os médicos, é assim com uma família, e não poderia deixar de ser com os policiais. Elenquei aqui alguns argumentos que, vez ou outra, surgem em discussões entre policiais, ou mesmo entre indivíduos outros que tratam de polícia e segurança pública, e que, apesar de aparentemente possuírem certa lógica, são mentiras de fato. Obviamente que a lista não está esgotada aqui (sintam-se à vontade para aumentá-la), tampouco são assertivas que são tomadas como verdade por todos os policiais – mas resumem os principais equívocos que os profissionais envolvidos com segurança pública tendem a absorver. Ei-los:

    "'Bandido' bom é bandido morto"
    Trata-se duma assertiva que expressa o superpoder que alguns policiais acham que têm. Dizer que o infrator da lei não possui direito à vida é intitular-se legislador, policial e juiz a um só tempo. Esse entendimento supõe uma sociedade boa (tendo o "pai de família" como um dos seus símbolos) versus os "marginais", ou "vagabundos", traçando uma linha intransponível entre esses dois extremos. Ou seja, o potencial descumprimento da lei é tido como algo intrínseco ao homem – uma visão eminentemente lombrosiana.

    "Fulano não entende nada de polícia, nunca sentou num banco de viatura"
    Se a pura prática da ação policial fosse suficiente para gerar um bom entendimento de polícia, não teríamos muitos dos problemas que atualmente enfrentamos. O empirismo puro não leva à excelência. Imaginemos que os críticos do Presidente da República precisassem eleger-se ao cargo para depois criticá-lo; seria absurdo. Geralmente o argumento é usado para esconder nosso despreparo, ou mesmo para rebater críticas infundadas, mas através dum raciocínio torto.

    Luiz Eduardo SoaresUm dos maiores estudiosos de Segurança Pública no Brasil, Luiz Eduardo Soares (um dos autores de Elite da Tropa) nunca foi policial - Foto: O Globo

    "Os Direitos Humanos só protegem os bandidos"
    Muitos policiais ainda não sabem o que são os Direitos Humanos. Comumente se confunde os Direitos Humanos com as organizações que se propõem a defender os Direitos Humanos, organizações estas que às vezes são injustificadamente incendiárias, e possuem participantes com objetivos políticos questionáveis. Mas é natural que os abusos cometidos por policiais, representantes do Estado, sejam ressaltados frente aos realizados pelos demais membros da sociedade. Se os policiais se dedicarem ao estudo e à internalização dos Direitos Humanos, terão mais argumentos e embasamento para refutara as teses de organizações mal-intencionadas.

    "No Judiciário, no Ministério Público e entre os políticos há muitos corruptos, e não são condenados como nós, policiais"
    Essa é uma assertiva que deve ser parcialmente considerada. Não se duvida que existam corruptos no judiciário, no Ministério Público e no "meio político" brasileiro – em verdade, todas as instâncias estatais estão sujeitas a esta doença. O problema está em tentar justificar o erro nosso com o desacerto de outrem. O policial que se ancora na doença alheia certamente o faria se fosse juiz, promotor, professor, etc.

    SenadoPlenário do Senado Brasileiro: a corrupção que porventura lá exista não justifica as faltas dos policiais - Foto: O Globo.

    "O policial administrativo é preguiçoso, o operacional é arbitrário"
    Entendendo o policial "administrativo" como aquele que trabalha em atividades burocráticas, e o "operacional" sendo aquele que trabalha na rua, seria incorreto determinar estereótipos para ambos. A técnica operacional não está desvencilhada da do respeito às leis e garantias fundamentais, ao contrário, a técnica é um dos instrumentos a ser utilizado para alcançar esses ideais. Da mesma forma, o fato do policial administrativo não ser acometido pelo stress comum à atividade, não o torna um preguiçoso ("macetoso", no jargão militar). Há mesmo aqueles que chegam a ultrapassar sua carga-horária de trabalho em prol da execução de suas missões. Chega a ser irracional essa dualidade de modelos, já que a rotatividade de funções é um fato na maioria das organizações policiaias.

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